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ÂNSIA

Solidão pérfida. Incalculável é o desejo de desnudar teu paraíso... de comer o fruto proibido... de acariciar tua face, pertinho... de sentir teu cheiro, fresquinho... de te fitar, inteirinho... de aguardar calada, sorrindo... de participar dos teus, devagarinho... de permitir que adentre aos meus, cheinho... de envolver-me aos teus braços, coladinho... de tomar duas taças de vinho, salute! que alinho... e copular exaltadamente com paixão, desejo e torvelinho!

VERSOS DIVERSOS

Um breve relato de pura comoção enaltece a supremacia amolecendo o coração. Eterna magia de contrastes coloridos abrem-se as cortinas rodopiando os moinhos. Suspiros adocicados beijos molhados enlaces e entrelaces de perfeita harmonia. Fuga camuflada imperfeição gerada é um ser que desponta na teia emaranhada. Ingênua nudez descabida vaidade sensível pureza de pura felicidade!

URGENTE!

A pedincha tornou-se comum naquele povo sofrido que aguardava incansavelmente por assistência. Num passado recente o massacre fora total. Águas impetuosas destruíram arrastando com fúria tudo que havia pela frente. A natureza é iminente, no entanto imprevisível na percepção humana. A piedade era visível apenas nos olhares perdidos dos que sobreviveram. Na calmaria das águas: lama, lixo, entulho, tudo se misturava. O homem na busca pela dignidade aguardava ajuda dos céus. Meio a consternação e proveito de alguns em detrimento ao sofrimento alheio, a esperança denotava-se na luz que acalmava, no bálsamo que alimentava, no suspiro que adornava o fôlego incansável pela luta à sobrevivência. A doação e, sobretudo a solidariedade acalentava os corações em sofrimento, amparando-os e dando-lhes a certeza de que a devoção de muitos exprimiria na compaixão e no amor. Sentimentos latentes ao homem, que por vezes, precisa da irritação externa da natureza para a sua manifestação. A situaçã...

ASILO

Ouço. Seu ruído é quase imperceptível e ao mesmo tempo sinfônico. Pedrinhas em comunhão com o tênue filete d’água rolam colina abaixo... O canto dos pássaros... O balançar dos galhos nas árvores... A brisa suave e aromática... Tudo em perfeita harmonia. E eu encantada diante da diversidade de atos comuns que embelezam e enobrecem dia após dia o fluxo natural da vida!

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Não é todo dia que se completa a idade que leva o título desta postagem. Meio século se aproxima. Experiências? Inúmeras. Só espero que eu tenha tirado o proveito de cada uma delas. Olho para trás e observo uma meia vida inteira repleta de altos e baixos, cheia de sonhos coloridos... Ora bicolores... Ora desbotados... Ora daltônicos. A cor nesse momento não faz o menor sentido; os sonhos foram e continuarão vivos, mesmo nas minhas diversas mortes. Calma! A psicologia nos explica que morremos várias vezes numa mesma existência. Certas teorias são bem confortáveis! Tentei mensurar nesse período de existência a quantidade de risos e a quantidade de choros promovidos por mim... Desisti. Quando percebi que o choro predominou em oposição ao riso, causou-me pânico. Mas quando percebi que certas atitudes se vigoraram em objeção a determinas tolices, causou-me alívio. Amadureci. A futilidade que preenche os momentos insanos na maioria dos adolescentes – concordo que com certo brilho – já não m...

DESERTO

Osório encontrava-se no deserto... No soçobro da madrugada fria, ventos gritavam de maneira assombrosa. O pavor atormentava sua mente ruidosa. O rumo turvo o desconectava do real. Com a visão opaca e limitada tornava-se imperceptível o ilusório. O grande vazio o confundia com o desalento que se alojava. Encontrava-se num imenso nada. Seu descontentamento era tão absurdo e fatídico, que sucumbir parecia ser o meio razoável. Desolado, buscava por alento. Seu desejo era penetrar no tudo do nada, e compreender o nada do tudo. Precisava reagir para que a mediocridade não o fizesse perder o ímpeto. E como um estalido, passou a emitir um novo olhar sobre a vida. Inflamou-se de ousadia. Convicto de que o deserto se transformaria na gleba desejável, o entusiasmo dilatou-se vibrando uma nova brisa de aroma angelical. A ilusão do vazio transformou-se num ilimitado oásis de inúmeras possibilidades. Percebeu que seria o domador do seu próprio destino. E assim, Osório ren...

EU 2

Sou a poesia que fala, que agita sou a mulher que grita! Sou o tempero na ginga, que adoça sou a mulher que adorna! Sou a estrela que ilumina e encanta sou a mulher que abranda!