REFLEXÃO ANUAL

Fazendo uma análise sintetizada dos acontecimentos na minha vida, de modo não linear e bem distante dos domínios da psicologia; observo que a cada período percorrido, e em comum acordo com o meu alvo desejado, houveram algumas influências externas, como se a consciência coletiva agisse sobre mim de maneira incisiva. Não sei se isso é bom ou ruim, entendendo que estou inserida numa sociedade, cabe a mim saber fazer as minhas escolhas. Lembrando que os percalços e rogozijos sempre estiveram presentes a cada etapa.

Cabe um adendo: no momento em que escrevo o texto, ouço Bolero de Ravel, e tudo parece tomar forma, como se as peças se encaixassem perfeitamente, como na música. Os diversos instrumentos de sopro, a seu tempo, em sincronicidade com os instrumentos de corda, no início insignificantes, no final despontam com toda a sua maestria. Todos eles respeitando a individualidade de cada um, todos a seu momento, de forma fragmentada, se organizam e se encaixam como num grande quebra-cabeça. Ah... Como me envolvo nesta obra musical!
 
Lembro-me, num período não muito distante, do desejo de abraçar o mundo. Todos os fatos ocorridos de ordem social ou não, que se espalhassem e que me provocassem indignação, lá estava eu buscando formas de encontrar a solução, como se fosse a mim destinada resolver todos os acontecimentos não favoráveis que se alastrassem diante do meu olhar. Percebo que nesse meu período de promoção a solidariedade, havia uma pureza interna imbuída de boas intenções, uma luz natural que emanava e se conectava com a presente causa, entretanto, havia a falta de discernimento diante dos fatos. A doçura e a rudeza ao mesmo tempo faziam parte desse cardápio de personalidade dúbia... Ora em cima do muro... Ora determinada: com opiniões sólidas, políticas e maduras. A formação estava porvir. 

Prosseguindo...
Começo a entender que abraçar o mundo não seria a maneira mais sensata e eficaz de auxílio, afinal, respeitar a individuação, inclusive a minha, seria o correto, ou seja, para ser solidária tinha que deixar de ser solidária. Que loucura! Tudo começa a ficar muito confuso, mas, como na música Bolero de Ravel, as notas sempre se encaixam.

Explico melhor...
Quanto mais me voltava para o outro, me esquecia de mim, como se apenas o outro estivesse com problemas, e eu não. Isso funciona como um mecanismo de defesa, minha consciência diz que devo ajudar meu próximo, devo ser solidária com o outro. E meu inconsciente diz que ajudando o outro não preciso me ajudar. E nesse momento percebo um certo enrijecimento, e outra confusão se instala. Pode não parecer mas, a confusão é um alicerce valioso neste meu processo de crescimento, me força a pensar, a buscar o caminho - nem sempre o melhor caminho - mas, me provoca a ficar em movimento.  A confusão dá liga.

Hoje, a confusão se manifesta de maneira mais adocicada, sem as angústias próprias desse estado supostamente indesejado. Com certeza, meus erros e acertos continuarão a fazer parte do meu caminhar. Aos erros, consequente dos enganos - lição a ser recapitulada. Aos acertos - lição alcançada, pronta e própria a ser compartilhada. 

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