A CARTA

Caro
André Peixoto

Grande amigo, espero mais uma vez poder contar com a sua magnânima ajuda e discrição. Não me ignore. Atenda meu chamado e, por favor, tenha compaixão e compreenda ao meu estado de ignorância e equívoco, se esse for o caso. Mesmo assim, olhe com carinho esse meu momento de agonia, que me impede às vezes de transpor meus sentimentos nefastos em benfazejos.

O que de fato a vida espera de mim? Quais os sinais a serem interpretados?

A minha aflição baseia-se na não materialização de alguns desejos. Entendo que a minha formação e obstinado crescimento infere no envolvimento direto e indireto com o outro, ou seja, a convivência em sociedade. É nos passado que algumas etapas fazem parte do processo deste crescimento, como: aos vinte anos de idade o homem começa a edificar seus sonhos, aos trinta anos começa a etapa de consolidação destes sonhos, e aos quarenta anos a etapa anterior está completamente solidificada, como por exemplo: o profissional, o familiar, o espiritual. Óbvio que este plano não é uma regra determinante, se assim fosse, como ficaria a comiseração perante todos os outros que não findaram cada uma das etapas? Porém, percebo a marginalização por parte dos membros desta sociedade, como também a automarginalização, tudo se converge. O caos se instala. A fragilidade se fortalece num antagonismo que se torna cada vez mais presente. Por mais que eu tente robustecer a fé e a persistência na esperança, a dor tormenta a minha razão que contamina a emoção.

Grande amigo, qual é a direção? Meus anseios urgem em encontrar o percurso. Pode me auxiliar? Aguardo seu retorno com ansiedade.

Um abraço saudoso e afetuoso.

Eu.

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